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Terapias biológicas na reumatologia: quando são indicadas e como funcionam?

Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)
Por: Publicado em 28/06/2026
7 min. de leitura
As terapias biológicas representam um dos maiores avanços no tratamento das doenças reumatológicas inflamatórias.
Durante muitos anos, o tratamento de condições como artrite reumatoide, artrite psoriásica, espondilite anquilosante e outras doenças autoimunes tinha opções mais limitadas. Hoje, com o avanço da medicina, é possível atuar de forma mais precisa em pontos específicos da inflamação.
Isso não significa que os medicamentos biológicos sejam indicados para todos os pacientes. Eles fazem parte de uma estratégia terapêutica individualizada e devem ser utilizados quando existe indicação clínica clara, acompanhamento adequado e avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios.

O que são terapias biológicas?

As terapias biológicas são medicamentos produzidos a partir de processos biotecnológicos. Diferente de medicamentos tradicionais, que geralmente são moléculas químicas menores, os biológicos são estruturas mais complexas, desenvolvidas para agir em alvos específicos do sistema imunológico.
Na reumatologia, esses medicamentos são utilizados para controlar inflamações persistentes em doenças autoimunes ou imunomediadas.
O objetivo é bloquear moléculas ou vias inflamatórias que participam da atividade da doença.
Entre os principais alvos estão:
  • TNF-alfa;
  • interleucinas;
  • linfócitos B;
  • linfócitos T;
  • outras vias específicas do sistema imune.
Essa ação direcionada permite controlar a inflamação de forma mais precisa em muitos casos.

Como as terapias biológicas agem no corpo?

Em doenças reumatológicas inflamatórias, o sistema imunológico passa a atuar de forma desregulada. Ele produz substâncias inflamatórias em excesso, que podem atingir articulações, tendões, coluna, pele e outros órgãos.
As terapias biológicas atuam bloqueando partes específicas desse processo.
Por exemplo:
  • alguns medicamentos bloqueiam o TNF-alfa, uma molécula importante em várias doenças inflamatórias;
  • outros atuam em interleucinas específicas, como IL-6, IL-17 ou IL-23;
  • alguns reduzem a atividade de células do sistema imune envolvidas na inflamação.
Na prática, isso pode ajudar a reduzir dor, rigidez, inchaço e progressão da doença.

Qual é a diferença entre biológicos e medicamentos convencionais?

Os medicamentos convencionais ainda têm papel fundamental na reumatologia. Em muitas doenças, eles são a primeira linha de tratamento e podem ser suficientes para controlar a atividade inflamatória.
As terapias biológicas costumam ser consideradas quando:
  • a doença não responde adequadamente aos tratamentos convencionais;
  • há atividade inflamatória persistente;
  • existe risco de progressão ou dano articular;
  • o paciente apresenta limitações importantes apesar do tratamento inicial;
  • o quadro exige uma estratégia mais direcionada.
A principal diferença é que os biológicos atuam de forma mais específica em determinadas vias inflamatórias, enquanto os medicamentos convencionais tendem a ter uma ação mais ampla.
Isso não significa que um seja sempre “melhor” que o outro. A escolha depende da doença, da gravidade, da resposta anterior e das características de cada paciente.

Em quais doenças reumatológicas as terapias biológicas podem ser usadas?

As terapias biológicas podem ser indicadas em diferentes doenças reumatológicas inflamatórias.
Entre elas:
  • artrite reumatoide;
  • artrite psoriásica;
  • espondilite anquilosante;
  • espondiloartrites;
  • lúpus, em situações específicas;
  • vasculites, em alguns casos;
  • doenças autoinflamatórias;
  • algumas manifestações sistêmicas de doenças autoimunes.
A indicação sempre depende da avaliação médica. Duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem precisar de tratamentos diferentes.

Terapias biológicas curam doenças reumatológicas?

Em geral, as terapias biológicas não são consideradas uma cura definitiva.
O objetivo principal é controlar a atividade da doença.
Em muitos casos, o tratamento pode levar à remissão, que significa ausência ou grande redução dos sinais de atividade inflamatória. Na prática, isso pode representar:
  • menos dor;
  • menos rigidez;
  • menos inchaço;
  • maior mobilidade;
  • preservação da função articular;
  • redução do risco de dano estrutural;
  • melhora importante da qualidade de vida.
A remissão é uma meta importante na reumatologia moderna, mas exige acompanhamento contínuo.

Quando uma terapia biológica é indicada?

A indicação depende de vários fatores.
O reumatologista avalia:
  • diagnóstico;
  • atividade da doença;
  • intensidade dos sintomas;
  • presença de inflamação em exames;
  • resposta a tratamentos anteriores;
  • risco de progressão;
  • comorbidades;
  • histórico de infecções;
  • preferências e rotina do paciente;
  • segurança do tratamento para aquele caso específico.
Não existe uma decisão automática. O tratamento precisa ser individualizado.

Quais benefícios as terapias biológicas podem oferecer?

Quando bem indicadas, as terapias biológicas podem trazer benefícios importantes.
Entre eles:
  • melhor controle da inflamação;
  • redução de dor e rigidez;
  • diminuição do inchaço articular;
  • prevenção de dano estrutural;
  • melhora da mobilidade;
  • preservação da função;
  • redução de crises;
  • melhora da qualidade de vida;
  • possibilidade de remissão em alguns casos.
Em doenças como artrite reumatoide, artrite psoriásica e espondilite anquilosante, esse tipo de tratamento mudou significativamente o prognóstico de muitos pacientes.

Existem riscos?

Sim. Como qualquer tratamento que atua no sistema imunológico, as terapias biológicas exigem cuidado.
Ao modular a resposta imune, alguns medicamentos podem aumentar o risco de infecções ou reativação de infecções latentes.
Por isso, antes de iniciar o tratamento, o médico pode solicitar exames para investigar condições como:
  • tuberculose latente;
  • hepatites;
  • alterações laboratoriais;
  • situação vacinal;
  • outras condições clínicas relevantes.
Essa etapa não deve ser vista como excesso de cuidado. Ela é parte essencial da segurança do tratamento.

Quais exames são necessários antes de iniciar?

A avaliação pré-tratamento varia conforme o medicamento e a doença, mas pode incluir:
  • hemograma;
  • função hepática;
  • função renal;
  • exames inflamatórios;
  • sorologias;
  • rastreio para tuberculose;
  • radiografia ou outros exames, quando indicados;
  • revisão do calendário vacinal.
Cada caso exige uma avaliação própria. O objetivo é reduzir riscos e iniciar o tratamento com segurança.

Acompanhamento durante o tratamento

O acompanhamento não termina após a primeira aplicação ou dose.
Durante o tratamento com terapias biológicas, o reumatologista acompanha:
  • resposta clínica;
  • redução de dor e rigidez;
  • melhora da função;
  • exames laboratoriais;
  • possíveis efeitos adversos;
  • sinais de infecção;
  • necessidade de ajuste terapêutico.
Em alguns casos, pode ser necessário trocar a terapia, ajustar intervalos ou associar outros tratamentos.

Terapias biológicas são sempre injetáveis?

Muitas terapias biológicas são administradas por via subcutânea ou intravenosa, mas isso varia conforme o medicamento.
Algumas são aplicadas em casa, após orientação adequada. Outras são feitas em ambiente supervisionado.
Além dos biológicos, existem também terapias-alvo sintéticas, que atuam em vias específicas da inflamação e podem ser administradas por via oral. Elas não são biológicos, mas também fazem parte dos avanços modernos no tratamento reumatológico.

Por que algumas pessoas têm medo das terapias biológicas?

O medo costuma estar relacionado a três pontos principais:
  • receio de mexer no sistema imunológico;
  • medo de efeitos colaterais;
  • insegurança por serem tratamentos mais avançados.
Essas preocupações são compreensíveis. Por isso, a informação correta é essencial.
O tratamento não deve ser iniciado sem uma conversa clara sobre benefícios, riscos, exames necessários e expectativas reais.
Quando existe boa indicação e acompanhamento adequado, as terapias biológicas podem ser ferramentas muito importantes no controle da doença.

O tratamento precisa ser mantido por quanto tempo?

A duração do tratamento varia.
Alguns pacientes precisam de uso prolongado. Outros podem ter ajustes ao longo do tempo, dependendo da resposta, atividade da doença e estabilidade clínica.
A decisão nunca deve ser tomada por conta própria.
Interromper o tratamento sem orientação pode levar à reativação da doença, retorno dos sintomas e maior risco de progressão.

Terapia biológica substitui outros cuidados?

Não.
Mesmo quando indicada, a terapia biológica faz parte de um plano de cuidado mais amplo.
O tratamento também pode envolver:
  • atividade física orientada;
  • controle de peso;
  • fisioterapia;
  • sono adequado;
  • controle de fatores inflamatórios;
  • acompanhamento multidisciplinar;
  • adesão às consultas e exames.
O medicamento é uma ferramenta importante, mas não substitui o cuidado contínuo.

Veja também no Instagram

Também falamos sobre esse tema no Instagram do Dr. Marcelo Pavan, em um conteúdo sobre terapias biológicas, doenças autoimunes e tratamento reumatológico moderno.
Link da publicação no Instagram:

Conclusão

As terapias biológicas mudaram a forma de tratar diversas doenças reumatológicas inflamatórias.
Elas permitem uma atuação mais direcionada sobre o sistema imunológico, ajudando a controlar a inflamação, reduzir sintomas e prevenir danos articulares em casos bem selecionados.
Ainda assim, não são indicadas para todos os pacientes e exigem avaliação criteriosa, exames antes do início e acompanhamento regular.
O objetivo do tratamento moderno não é apenas aliviar sintomas momentâneos. É controlar a doença, preservar função e permitir mais qualidade de vida ao longo do tempo.
Dr. Marcelo Pavan
Reumatologista | CRM SP 119760 RQE Nº: 38108

Fontes:

Cleveland Clinic.

Manual MSD.

Sociedade Paulista de Reumatologia.

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